Cidade perdida
Poemas | Poesia Lírica | Rosilene Rodrigues Neves de MenesesPublicado em 17 de Outubro de 2026 ás 06h 14min
Cidade Perdida
Rosy Neves
Ainda sinto o cheiro da relva molhada,
como se a manhã não tivesse partido,
como se o tempo, em sua marcha cansada,
guardasse teu nome num céu esquecido.
Vim de uma cidade perdida no cosmo,
suspensa entre estrelas, silêncio e poeira,
onde a noite bordava, em seu manto sem fim,
as memórias de uma era primeira.
Há milênios, talvez, que deixei suas ruas,
seus jardins de cristal, suas torres de luz;
mas ainda escuto, nas sombras tão nuas,
o eco dos passos que o vento conduz.
Lá, cada janela fitava um planeta,
cada sonho nascia com asas de aurora;
e o amor era uma chama pequena e secreta,
acesa no peito de quem já ia embora.
Ainda sinto o cheiro da relva molhada,
e a chuva descendo por campos sem fim.
Talvez minha alma nunca tenha partido,
talvez aquela cidade resida em mim.