Chuva triste na infância
Poemas | Poesia Lírica | Rosilene Rodrigues Neves de MenesesPublicado em 06 de Junho de 2026 ás 13h 05min
Chuva Triste na Infância
A chuva caía sobre os telhados antigos,
como uma canção turca esquecida
nas margens de um velho Bósforo de lembranças.
Eu era criança.
E o mundo cabia inteiro
dentro de uma janela embaçada,
onde meus olhos seguiam as gotas
escorrendo lentamente pelo vidro,
como pequenas caravanas do céu.
Os jardins vestiam-se de névoa,
os pardais recolhiam seus sonhos molhados,
e o vento trazia, de terras distantes,
o perfume das rosas e da saudade.
Ó infância...
Por que partiste tão cedo
em teu barco de velas brancas?
Ainda escuto tua voz delicada
entre os pátios silenciosos da memória,
a correr pelos corredores do tempo
como um riacho escondido sob as estrelas.
Hoje, quando a chuva retorna,
traz consigo um antigo chamado.
E meu coração, feito dervixe solitário,
gira lentamente entre o passado e o presente,
procurando aquela criança perdida
que conversava com as nuvens
e acreditava que os anjos moravam
atrás das cortinas da tempestade.
Então a chuva cai...
Triste, mansa e sagrada.
E cada gota que toca a terra
faz florescer um pequeno Bósforo dentro de mim,
onde navegam, para sempre,
os barcos dourados da infância.