Chuva no quintal
Poemas | Poesia Lírica | Rosilene Rodrigues Neves de MenesesPublicado em 02 de Junho de 2026 ás 08h 00min
A Chuva no Quintal da Alma
A chuva ainda cai no quintal da minha alma,
mansa, fria e interminável,
como se o próprio céu tivesse encontrado morada
exatamente entre as lembranças que não partiram.
As gotas descem em um silêncio profundo,
e parecem machucar as pétalas delicadas dos jasmins,
aquelas que outrora floresciam brancos, puros e serenos,
nos recantos e jardins secretos do meu coração.
Cada flor, mesmo ferida, guarda um nome gravado,
um sonho que a vida esqueceu e o tempo levou,
um adeus que ficou suspenso na neblina fina
daquelas tardes douradas que nunca mais voltaram.
E enquanto a chuva canta a sua canção antiga e constante,
os ventos recolhem, do ar, perfumes de pura saudade,
e espalham-nos por todas as estradas da minha memória,
onde, sem querer, ainda procuro encontrar os teus passos.
Mas os jasmins, ainda que feridos e pesados de água, resistem.
Há uma força e uma delicada coragem nas suas pétalas,
são como estrelas pequenas que se recusam a apagar-se,
mesmo diante da imensidão escura da noite.
E talvez, quando a tempestade enfim passar,
e o sol encontrar novamente o caminho deste jardim,
essa mesma chuva que hoje parece ferir as flores
se transforme, milagrosamente, na fonte do seu renascimento.
Até lá, apenas deixo que o céu chore em mim,
pois eu sei que toda lágrima que cai e molha a terra
também prepara, em segredo, no fundo do solo,
o milagre adormecido de uma nova e bela primavera.