Chuva de mistério
Poemas | Poesia Lírica | Rosilene Rodrigues Neves de MenesesPublicado em 25 de Março de 2026 ás 06h 25min
Quando a chuva desceu dos olhos dele naquela manhã,
não era o céu que chorava —
era o mundo desmoronando em silêncio dentro de mim.
As ruas estavam intactas,
os pássaros ainda ousavam cantar,
mas havia um inverno secreto
entre o meu peito e o tempo.
Quando a chuva desceu dos olhos dele,
minhas mãos desaprenderam o calor,
e o amor — tão vasto antes —
encolheu-se como um último suspiro esquecido.
Minha alma, então,
cansada de procurar abrigo na terra,
ergueu-se lenta
e olhou para as estrelas...
Ah, as estrelas —
tão distantes, tão antigas, tão mortas de luz —
brilhavam como promessas
que nunca foram feitas para nós.
E eu compreendi, naquela manhã,
que há lágrimas que não caem dos olhos,
mas do infinito —
e atravessam o coração
como uma noite que não termina.
Comentários
Há lirismo nas suas palavras...
ADAILTON LIMA | 25/03/2026 ás 09:37