Chama estelar

Poemas | Poesia Lírica | Rosilene Rodrigues Neves de Meneses
Publicado em 09 de Maio de 2026 ás 06h 25min

Ó meu Deus!

por que os meus olhos

fitam tanto as estrelas?

 

Há nelas um chamado antigo,

um sopro invisível

atravessando a noite.

 

Não falam como os homens,

não conhecem o idioma da terra,

mas tremem em silêncio

numa linguagem de eternidade.

 

E a minha alma escuta.

Escuta como quem reconhece

uma canção esquecida

antes mesmo do nascimento do mundo.

 

Às vezes penso

que fui feita de algum fragmento do céu,

de alguma poeira dourada

perdida no coração do Cosmo.

 

Porque quando as estrelas acendem,

algo dentro de mim desperta

como um pássaro de luz

batendo asas contra o peito.

 

Ó meu Deus!

há uma saudade impossível

morando nos meus olhos.

E as estrelas parecem saber.

 

Elas me olham de longe

com suas coroas de fogo,

como antigas sacerdotisas

guardando os segredos do infinito.

 

Não me chamam com voz humana,

mas com a frequência divina,

essa música silenciosa

que atravessa a carne

e alcança o espírito.

 

Então eu ergo os olhos ao céu

como quem procura voltar para casa.

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