Castigo da névoa
Poemas | Poesia Lírica | Rosilene Rodrigues Neves de MenesesPublicado em 23 de Setembro de 2026 ás 08h 26min
O Castigo da Névoa
Rosy Neves
Ele ainda derrama névoa
na beira esquecida do mundo,
com os olhos cheios de soluços
e o coração submerso
num silêncio profundo.
Seus lábios permanecem mudos,
há séculos, por castigo;
guardam palavras que nunca nasceram,
promessas que o tempo apagou,
e um amor que não encontrou abrigo.
Nas margens do infinito,
ele contempla as estrelas mortas,
como quem procura, entre galáxias,
a antiga chave
das portas que foram fechadas.
Nenhum sino anuncia sua chegada,
nenhuma flor se inclina ao vento.
Apenas a névoa o acompanha,
tecendo sobre seus ombros
um manto de esquecimento.
E, quando a noite adormece
sobre os rios ocultos do céu,
ele ergue os olhos ao vazio
e pergunta, sem voz:
— Que pecado cometi,
para que até o silêncio
me negasse o direito de amar?
Na beira do mundo,
ainda permanece,
feito sombra de um sonho perdido,
derramando névoa sobre a eternidade
e soluços sobre o infinito.