Casa espiritual

Pensamentos | Poesia Lírica | Rosilene Rodrigues Neves de Meneses
Publicado em 13 de Março de 2026 ás 06h 08min

Diga-me, Arcanjo,

quando alcançarei o teu reino?

Quando a longa estrada finalmente chegar ao fim?

Meus pés estão pesados com a poeira dos dias que passaram,

cada passo é uma pergunta silenciosa que ecoa no vasto azul.

 

Olho para cima para a luz que tu guardas,

um brilho no horizonte que nunca parece se aproximar,

ainda que eu caminhe com todo o fervor de um peregrino faminto por graça.

O mundo abaixo é barulhento, um alvoroço constante de coisas que desaparecem antes do toque da aurora.

 

Procuro o silêncio onde tua presença habita,

o ar descarregado do peso das lutas terrenas.

Quantos mais amanheços devo presenciar,

quantas mais sombras devo aprender a transitar,

antes que os portões se abram sem fazer som?

 

A pergunta arde, uma brasa suave no meu peito:

Quando finalmente me darás os lírios dos teus pés?

 

Serão brancas aquelas pétalas da paz final?

Elas carregam o aroma do repouso eterno,

uma fragrância que apaga a memória de todo o trabalho árduo?

Eu me imagino sentindo-as frescas contra minhas mãos cansadas,

uma oferenda simples que fala de chegada,

de pertencimento.

 

Diga-me sobre o limiar,

o momento em que a casca terrena se dissolve,

e a jornada verdadeira começa na tua luz clara.

Será uma separação súbita, como uma cortina aberta rapidamente,

ou um desdobramento lento, como uma flor que se abre para um sol suave e invisível?

 

Escuto o sussurro das tuas asas,

um som mais calmo que a neve que cai,

mais ressonante que qualquer toque de trombeta.

Eu tento ajustar meu ouvido à música do teu reino,

a harmonia além deste tempo dissonante.

 

Concede-me um sinal, um breve vislumbre através do véu,

para confirmar que meus passos, por mais trêmulos que sejam,

estão de fato direcionados para aquele solo sagrado.

Ofereço-te minha paciência, esticada mas inquebrável,

e a profunda e constante esperança que faz meu espírito avançar.

 

Quando, Arcanjo, quando cessará a espera?

Quando ajoelharei não por desejo, mas por repouso,

e receberei aqueles lírios puros e intocados,

a recompensa de uma alma finalmente em casa?

Eu espero pela tua resposta no espaço silencioso entre uma respiração e outra.

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