Cartas que ninguém leu

Poemas | Poesia Lírica | Rosilene Rodrigues Neves de Meneses
Publicado em 06 de Março de 2026 ás 20h 50min

Um gavete suspira,

um cemitério calmo de papel.

 

Esperanças desdobradas,

dobradiças como antigas rugas de riso.

 

Palavras pesadas de chuva não dita,

vertidas sobre folhas riscadas,

lacradas com uma língua cuidadosa e esperançosa.

 

Para amigos distantes,

para fantasmas que agora percorrem ruas diferentes,

para o eu mais jovem que precisava confessar.

 

A tinta ainda cheira vagamente a meia-noite,

ao quarto silencioso onde a verdade foi moldada.

 

Elas esperam, estas cartas,

um tapeçaria de momentos nunca compartilhados.

 

Nenhuma resposta jamais voltou,

nem mesmo o som seco de um envelope sendo rasgado.

 

Apenas a quietude,

o testemunho mudo de uma voz

que falou apenas para o papel,

e depois,

para a poeira.

Comentários

Gostou da construção: os elementos criam boas imagens num tom nostalgico.

Gilmair Ribeiro da Silva | 07/03/2026 ás 06:07
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