Cartas perdidas no mar de Portugal
Poemas | Poesia Lírica | Rosilene Rodrigues Neves de MenesesPublicado em 12 de Junho de 2026 ás 09h 26min
Cartas Perdidas nas Águas de Portugal
de Rosy Neves
Nas águas salgadas de Portugal perdidas,
vão cartas sem destino, sem porto, sem clarim;
levadas pelas mãos das marés adormecidas,
como segredos antigos guardados dentro de mim.
Entre névoas densas dormem os veleiros,
fantasmas de madeira sob o manto do luar;
parecem cavaleiros de reinos derradeiros
que partiram em silêncio e não puderam voltar.
Os sinos dos mosteiros choram sobre as colinas,
e o vento reza salmos pelas praias sem ninguém;
enquanto as ondas bordam, com espumas peregrinas,
nomes que o tempo esquece e não repete além.
Há rostos que jamais conhecerão a outra margem,
nem verão o ouro pálido escondido no horizonte;
ficarão como estrelas presas à própria viagem,
bebendo a eternidade na sombra de uma fonte.
Ó mar dos navegantes, ó caminho sem memória,
quantos sonhos levaste para os abismos teus?
Quantas cartas dormitam nas galerias da história,
seladas pelo silêncio entre os homens e Deus?
E eu contemplo as águas sob o céu grave e profundo,
onde o crepúsculo veste armaduras de rubim;
e escuto os velhos ecos que atravessaram o mundo,
cantando entre as brumas um destino sem fim.
Pois toda carta perdida procura um coração,
e todo navio errante procura uma luz acesa;
mas há amores que vivem apenas na solidão,
como castelos de névoa erguidos pela tristeza.
Assim seguem os veleiros pelas estradas do mar,
levando sonhos antigos para além da escuridão;
e as cartas perdidas continuam a navegar
nas águas salgadas de Portugal e do coração.