Cartas abertas

Poemas | Poesia Lírica | Rosilene Rodrigues Neves de Meneses
Publicado em 09 de Maio de 2026 ás 06h 32min

Há um rio de silêncio

correndo por dentro da noite,

e nele navegam estrelas

como cartas que Deus esqueceu abertas.

 

Eu caminho devagar

sobre as pontes invisíveis do sonho,

com as mãos cheias de vento

e o coração bordado de saudade.

 

As flores me reconhecem.

Curvam-se levemente

como antigas amigas

que sabem o nome secreto da minha alma.

 

Ao longe, um sino toca.

Não sei se chama os vivos

ou desperta os anjos adormecidos

na memória do céu.

 

Ó lua branca,

guarda em teu colo

as lágrimas que eu não disse,

os amores que não couberam na terra.

 

Porque dentro de mim

há um jardim aceso pela eternidade,

onde cada rosa floresce lentamente

na direção das estrelas.

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