CARTA

| | Isolti Cossetin
Publicado em 25 de Abril de 2026 ás 10h 20min

Querida eu pequena,

Escrevo para você com mãos cheias de ternura e um coração que aprendeu, aos poucos, a compreender.

Eu sei… você passou por dias longos demais para uma criança. Conheceu ausências cedo. Sentiu a distância dos pais, dos irmãos, do colo que deveria estar sempre por perto. Houve silêncios que doeram mais que palavras, e lágrimas que você engoliu porque achou que precisava ser forte.

Hoje, venho dizer: você não precisava ter sido tão forte sozinha.

Mas foi. E é exatamente isso que quero honrar.

Apesar de tudo, você cresceu. Criou raízes dentro de si. Desenvolveu uma força interior incrível, uma força silenciosa, teimosa, corajosa que te sustentou quando parecia não haver chão. Foi essa menina sensível e resistente que abriu caminho para a mulher que sou hoje.

Quero te pedir perdão.

Perdão pelas dores que você enfrentou.

Pelas vezes em que teve que amadurecer antes do tempo.

Pelos sonhos adiados, pelos medos guardados, pelas perguntas sem resposta.

Mas, acima de tudo, quero te agradecer.

Obrigada por não ter desistido.

Obrigada por continuar acreditando, mesmo quando tudo parecia escuro.

Obrigada por proteger sua essência, por guardar delicadeza num mundo áspero, por manter viva a esperança dentro do peito.

Você nunca desistiu de si mesma e isso é grandioso.

Tenho tanto orgulho de você.

Saiba que agora você não está mais sozinha. Eu estou aqui. Cuido de você. Escuto suas dores. Celebro suas vitórias. Prometo honrar sua história, respeitar suas cicatrizes e continuar sonhando por nós duas.
Com amor infinito, carinho, respeito e gratidão,

Isolti (sua versão adulta)
Este texto foi classificado e publicado no livro de cartas. O objetivo era escrever uma carta para o meu eu criança.

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