Carta para a professora Maria Correia
| Cartas | 2026/8 Antologia A quem ainda escrevo? | Maria LurdesPublicado em 03 de Setembro de 2026 ás 20h 13min
Carta para professora Maria Correia
30 de agosto de 2026
Alguém que, através da sua profissão, fez um belo trabalho e, desse trabalho, hoje colhemos grandes frutos.
Olá, querida professora!
Sei que você não vai me responder esta carta, mas, de onde você estiver, quero lhe agradecer muito pelas vezes que segurou a minha mão e me ensinou a manusear o lápis. Aprendi a escrever as minhas primeiras letrinhas.
Você foi um tanto rígida, mas valeu a pena. Corrigindo, circulando a lição de classe onde estava errado, não dava moleza. Naquele momento, nem gostei, talvez por não ter entendido que era para o meu próprio bem.
Também sei que era leiga, mas tinha uma sabedoria que, por meio dela, fez com que muitos frutos fossem colhidos, e hoje podemos ver os seus resultados.
Também me lembro da sua voz cantando o Hino Nacional e fazendo a oração todos os dias. Quando alguém merecia um castigo, não passava em branco.
Na sexta-feira, era dia de Matemática. A palmatória fazia barulho, e os olhos lacrimejavam. Sempre tinha um aluno que se dedicava mais e, por isso, a palmatória passava de mão em mão, mostrando o seu saber nas suas respostas. Mas não vou lhe culpar, pois o interesse cabia a nós mesmos.
Você foi muito importante para quem eu sou hoje. Não esqueci os algarismos romanos e as palavras oxítona, paroxítona e proparoxítona, que ficaram fixadas nas minhas lembranças.
Também me lembro das datas comemorativas, que me marcaram muito. Eu era uma das alunas a fazer parte das apresentações, e isso me ajudou bastante no meu desenvolvimento como pessoa, dando-me coragem para falar em público.
E tantos outros alunos que tiveram a mesma profissão, dedicando-se à educação.
Carta de Maria Lurdes Joana Ribeiro