Carta ao lírio branco
Poemas | Poesia Lírica | Rosilene Rodrigues Neves de MenesesPublicado em 29 de Agosto de 2026 ás 16h 56min
Carta ao Lírio Branco
Rosy Neves
Perdoa-me, lírio branco,
não posso cuidar de ti…
Vim para este mundo
talvez apenas para te amar,
e, de tanto amar-te,
até do amor me perdi.
Prendi minha alma
nos teus laços delicados,
como quem se entrega ao vento
sem perguntar para onde ele vai.
Tu eras tão branco,
tão puro,
que eu não percebi
quando comecei a morar
dentro da tua primavera.
Perdoa-me
se minhas mãos não souberam
proteger tuas pétalas
das tempestades do tempo.
Eu quis ser jardim,
mas cheguei trazendo inverno.
Quis ser abrigo,
mas havia uma noite inteira
morando dentro de mim.
E agora, lírio,
olho-te em silêncio…
Tuas pétalas ainda guardam
a memória dos meus dedos,
e talvez o perfume
daquilo que nunca conseguimos dizer.
Não chores por mim.
Se algum dia encontrares
uma estrela caída
entre as folhas do teu jardim,
saberás que fui eu
tentando voltar para casa.
Perdoa-me, lírio branco…
Eu vim a este mundo
para te amar.
E foi justamente por te amar tanto
que me perdi de mim.