Carta à menina que habita em mim

| Cartas Literárias | 2026/8 Antologia A quem ainda escrevo? | Djordana Cecília Bombarda
Publicado em 15 de Agosto de 2026 ás 23h 00min

Se eu pudesse voltar no tempo, iria te procurar menina, sentada à sombra daquela árvore conversando com as plantas. Eu a encontraria, certamente ali, pois quando você sumia, era ali que te encontravam, inventando histórias, onde tudo era possível.

Você não imaginava que um dia tudo isso seria guardado para sempre dentro do seu coração. Que você sentiria saudade e quisesse voltar lá no mesmo lugar só para saber a sensação de estar ali. Que aquelas pernas longas e finas que brincavam na rua, caminhariam por tantos lugares. Que aqueles olhos curiosos conheceriam alegrias, amores, dissabores, separações, tristeza e recomeços. Que aquele coração inocente, tão cheio de sonhos, aprenderia também a ser forte.

Hoje, quando olho para você, percebo que você não se desvinculou de mim. A menina de outrora tornou-se uma mulher que descobriu que a vida nem sempre oferece caminhos fáceis, mas que ainda assim vale a pena insistir. Aprendeu cair, levantar e recomeçar. Que coragem não é não sentir medo, mas continuar mesmo quando ele aparece.

E sabe o que mais me encanta? Você não se despediu da menina que um dia você foi.  Ela continua aqui. Mora nas suas lembranças, na sua sensibilidade e na apreciação pela simplicidade. Mora nos sonhos que você ainda guarda, nas alegrias que procura e na esperança de que sempre existe uma saída.

Àquela menina, eu quero dizer: Obrigada por sonhar.

Foi porque você sonhou que eu cheguei até aqui.

Foi porque você acreditou que hoje posso olhar para a vida e dizer: ainda quero mais.

Ainda tenho sonhos para realizar, caminhos para percorrer, histórias para contar em livros que eu ainda vou escrever.

Talvez a vida tenha levado você para longe daquela cidadezinha, mas nunca conseguiu levar as lembranças de dentro do seu coração.

E, quando tudo parece difícil, você volta para lá e então se lembra de tão incrível que foi a sua infância.

Uma menina que acreditava na beleza das coisas simples se tornou uma mulher que aprendeu a acreditar em si mesma.

E entre a menina e a mulher,  existe uma ponte feita de tempo, coragem, sonhos e amor. 

Siga em frente e enfrente.

Continue buscando seus sonhos.

Continue sendo simples.

Continue irradiando alegria por onde passa.

E, quando o mundo parecer grande demais, segure a mão daquela menina.

Ela conhece o caminho de volta para casa.

 

Com carinho,

 

A mulher que você se tornou!

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