Sinopse:
Um retorno ao caminho da infância, onde a paisagem guarda memórias, passos e silêncios. O poema reflete sobre o tempo, o pertencimento e aquilo que, mesmo após a partida, nunca deixou de existir.
Caminho
Ah, se aquele caminho falasse
contaria dos meus passos miúdos,
dos pés sujos de terra,
do riso solto que não sabia do mundo.
Ah, se as pedras lembrassem,
guardariam quedas e coragem,
joelhos ralados,
e a pressa inocente de chegar a lugar nenhum.
Se as árvores cochichassem,
revelariam segredos antigos,
meu nome dito ao vento
quando eu ainda cabia nos dias.
Hoje voltei.
Andei o mesmo caminho,
mas ele me reconheceu antes de mim.
A terra é a mesma,
o silêncio é mais fundo,
e os passos — agora —
carregam o peso do tempo.
Ah, se esse caminho falasse…
diria que eu fui,
que eu voltei,
e que algo de mim
nunca foi embora.