Cala te
Poemas | Poesia Lírica | Rosilene Rodrigues Neves de MenesesPublicado em 26 de Maio de 2026 ás 18h 42min
Cala-te
Cala-te
Sobre o pranto amargo da vida,
como uma voz que, exausta,
acabou de morrer no ar…
Cala-te! Sobre o sofrimento,
sobre o peso imenso e doloroso
da simples dor de viver!
Lá no longe,
os faróis da eternidade
já estão acesos e vigilantes…
Cala-te!
A vida não é senão um breve poema,
escrito às pressas num dia de chuva,
por alguém que já sentia em si
o derradeiro e último suspiro.
Ah, meu Deus… eu sou assim!
Escrevo coisas que parecem sem sentido,
versos que só encontram a sua verdadeira razão
no coração sofrido de um poeta.
Cala-te, apenas por um instante,
e ouve a chuva intensa e fina,
que escorre devagar, lentamente,
sobre as janelas embaçadas e frias
desses grandes e solitários manicômios
onde a minha alma, desesperada,
foi buscar abrigo para poder continuar…
Pois a vida é, verdadeiramente, mesmo assim.
E a cada dia que passa,
ela vai se calando mais e mais dentro de mim,
tal qual um papel molhado e borrado pela água,
onde já não se consegue ler, nem entender,
o que um dia foi escrito com tanta esperança.
Agora… Silêncio absoluto!
Cale-se o corpo.
Cale-se a alma.
Cale-se, para sempre, a própria poesia…