Cacos de estrelas
Poemas | Poesia Lírica | Rosilene Rodrigues Neves de MenesesPublicado em 24 de Setembro de 2026 ás 17h 29min
Cacos de Estrelas
Rosy Neves
Ele ainda colhe cacos de estrelas no céu,
ou talvez apenas aquilo
que restou dele.
Caminha devagar
sobre as ruínas da noite,
com as mãos feridas de silêncio
e os olhos cheios de constelações partidas.
Cada estrela que recolhe
parece guardar um nome,
um suspiro antigo,
uma promessa que o tempo
não conseguiu apagar.
Ele as coloca no peito,
uma por uma,
como quem tenta reconstruir
um coração feito de universo.
Mas há noites
em que o céu permanece vazio,
e ele se pergunta
se ainda está colhendo estrelas
ou apenas os fragmentos
daquilo que um dia foi.
Talvez tenha deixado sua alma
em algum lugar além das galáxias,
onde a luz chega atrasada
e a saudade não conhece fronteiras.
E quando o último caco
escorrega entre seus dedos,
ele olha para o infinito
e sussurra:
— Se ainda houver uma estrela para mim,
que ela brilhe baixinho...
para que eu possa encontrá-la
antes de me perder
de vez no céu.