Bósforos de lágrimas
Poemas | Poesia Lírica | Rosilene Rodrigues Neves de MenesesPublicado em 15 de Julho de 2026 ás 13h 09min
Bósforos de Lágrimas
Rosy Neves
Os olhos do Rei ainda estão perdidos,
fitando um oceano cósmico
que não pertence a este mundo.
Nem as estrelas conhecem
o nome das águas
onde sua alma navega.
Há um silêncio antigo
repousando sobre suas pálpebras,
como minaretes cobertos
pela névoa do amanhecer.
E o vento, peregrino do Oriente,
traz consigo orações
que nenhuma boca consegue pronunciar.
Meus olhos tornaram-se dois Bósforos,
estreitos de lágrimas
entre continentes da esperança
e ilhas da saudade.
Por eles passam navios invisíveis,
carregando cartas
que jamais encontrarão um porto.
Ó Rei,
teu olhar atravessa galáxias
como um dervixe que dança
ao redor do infinito,
procurando uma pátria
que nem o tempo soube guardar.
Se eu pudesse,
costuraria a Via Láctea
com fios de jasmim e luar,
para que teus olhos
encontrassem novamente
o caminho de volta.
Mas o oceano que te chama
não conhece margens,
nem bússolas,
nem mapas desenhados pelos homens.
Então permaneço aqui,
à beira dos meus Bósforos de lágrimas,
vendo tua ausência navegar
entre constelações silenciosas,
até que Deus,
em Sua infinita misericórdia,
faça do universo
uma ponte de luz
e conduza teu coração
de volta ao porto
onde o amor jamais naufraga.