Borboleta cósmica
Poemas | Poesia Lírica | Rosilene Rodrigues Neves de MenesesPublicado em 03 de Julho de 2026 ás 20h 51min
Borboleta Cósmica
Rosy Neves
Ele atravessou o véu negro da ilusão,
onde as sombras aprendem a vestir o silêncio,
apenas para dizer?me, em voz de estrela:
— O meu amor ainda não morreu.
Não o encontrei com a forma antiga,
nem com o perfume das promessas humanas.
Encontrei?o feito claridade escondida,
respirando entre galáxias invisíveis.
O amor apenas se transformou.
Como a lagarta que aceita a noite
sem saber que carrega asas adormecidas,
ele recolheu as dores do tempo,
teceu um casulo com lágrimas e esperança,
e esperou, pacientemente,
que o universo terminasse sua oração.
Então nasceu.
Não como um pássaro,
nem como um anjo.
Nasceu como uma borboleta cósmica,
com asas feitas de nebulosas,
bordadas por constelações antigas,
beijadas pelo sopro eterno de Deus.
Seu voo já não conhecia a gravidade,
apenas a leveza dos astros.
E cada bater de suas asas
espalhava poeira de luz
sobre os abismos da minha alma,
como quem dizia que até a saudade
pode florescer em infinito.
Desde então, compreendi:
há amores que não desaparecem.
Apenas deixam de habitar a terra
para aprender a florescer no céu.
E quando a noite se torna profunda,
vejo uma borboleta atravessar o firmamento.
Não a sigo.
Sorrio.
Porque sei que, do outro lado do véu negro da ilusão,
o amor continua vivo —
mais livre, mais luminoso,
eternamente entregue
à sua mais bela metamorfose.