Bendita flor do céu
Poemas | Poesia Lírica | Rosilene Rodrigues Neves de MenesesPublicado em 14 de Setembro de 2026 ás 06h 39min
Bendita Flor do Céu
Rosy Neves
Bendita flor do céu,
quem há de te tocar um dia,
sem que as mãos sejam punidas
pela vertigem da tua luz?
Quem ousará colher-te
na margem azul do infinito,
sem que os dedos se queimem
no fogo secreto das estrelas?
Eu olho para o céu
como um mortal aflito,
com os olhos cansados de perguntas,
procurando entre constelações
uma resposta que nunca chega.
Pergunto à lua,
pergunto aos astros,
pergunto ao silêncio
que se derrama sobre a noite:
— Onde estás?
E tudo o que encontro
é o eco vazio
do soar do meu próprio peito,
batendo contra as paredes
de um universo sem portas.
Há um silêncio mudo
na vastidão cósmica,
um silêncio tão profundo
que até as estrelas
parecem ter medo de falar.
E a flor continua ali,
suspensa além do tempo,
abrindo suas pétalas
sobre um jardim que nenhum mortal conhece.
Talvez ela não tenha sido feita
para ser tocada,
mas apenas contemplada
por aqueles que aprenderam
a amar o impossível.
Então fico aqui,
pequeno diante do infinito,
com minhas mãos vazias
e minha alma cheia de perguntas.
E se um dia
a flor do céu inclinar-se sobre mim,
não tentarei colhê-la.
Apenas fecharei os olhos
e deixarei que sua luz
toque meu rosto.
Porque há coisas sagradas
que não pertencem às mãos —
pertencem ao silêncio,
às estrelas
e ao mistério
de tudo aquilo
que o coração mortal
jamais conseguirá compreender.