Barco de papel
Poemas | Rosilene Rodrigues Neves de MenesesPublicado em 17 de Janeiro de 2026 ás 13h 31min
Eu estou em um barquinho de papel,
frágil, branco, dobrado às pressas.
O oceano cruel da vida se estende,
um espelho turvo, promessas e sombras.
Cada onda, um desafio,
um pensamento ácido,
uma lembrança salgada.
O vento sopra forte,
indiferente à minha fragilidade,
testando a cola imperfeita.
Às vezes, a calmaria engana,
um azul profundo e tentador,
escondendo correntes traiçoeiras.
Outras vezes, a tempestade chega,
raios cortando o céu,
ondas gigantes, a certeza do fim.
Mas meu barquinho de papel resiste,
dança sobre as águas,
guinadas inesperadas.
A esperança, uma vela invisível,
impulsiona-me adiante,
rumo a um horizonte incerto.
Quem sabe, uma ilha distante,
um porto seguro,
um descanso para a alma.
Enquanto isso, sigo,
navegando no papel,
sonhando com a terra.