Barco da saudade

| Poesia Lírica | Rosilene Rodrigues Neves de Meneses
Publicado em 31 de Maio de 2026 ás 07h 42min

O Barco da Saudade

 

O barco dança suavemente nas ondas do mar,

como se conhecesse, de cor, os segredos do vento.

Vai balançando entre as espumas brancas e os horizontes sem fim,

carregando, em seu casco, metade da saudade que mora no meu peito.

 

A outra metade, porém, ficou para trás, na praia,

sentada sobre as pedras frias do silêncio,

olhando fixamente a partida dos sonhos antigos,

aqueles que o tempo passou, mas nunca conseguiu apagar.

 

As gaivotas, ao voar, desenham círculos lentos no céu,

parecem cartas enviadas e escritas pela própria distância.

E o mar, esse velho e sábio guardião de todas as ausências,

abaixa suas águas e recolhe as minhas lágrimas, sem dizer uma única palavra.

 

O barco dança, dança sem descanso, sem pressa de chegar,

vestido de névoa fina e da luz dourada do entardecer.

Leva consigo lembranças que pareciam adormecidas,

e também os beijos que demos, e que nunca mais voltaram a florescer.

 

Mas, enquanto ele navega, perdendo-se rumo ao infinito,

algo dentro de mim também aprende, enfim, a partir e a deixar ir.

Pois toda saudade verdadeira é como um rio feito de estrelas,

que corre, atravessa a alma inteira, apenas para viver, e não morrer.

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