Na cúpula dourada, onde o brilho do poder cega os olhos,
erguem-se taças de privilégios em brindes silenciosos.
Enquanto os pés calejados do povo marcham sem descanso,
lá, no salão dos eleitos, o tempo se dobra em folgas e regalias.
Eles, os senhores do verbo vazio,
se presenteiam com cifras inalcançáveis,
tecem leis no escuro da noite,
carnavalizando os próprios desejos,
enquanto a miséria dança sem música
nas ruas onde o futuro se desfaz.
O trabalhador, esse sem coroa e sem cetro,
vê o pão minguar, o salário congelar,
sente na pele o frio da indiferença
de quem nunca soube o preço do arroz.
E o golpe não vem com espadas,
não precisa de soldados,
ele se escreve em decretos ocultos,
sussurrados entre risos abafados.
O que não querem que saibamos?
Que as sombras são longas,
que os brindes são surdos,
que os dias de luta do povo
são apenas um eco distante
nos corredores de mármore do poder.
Mas a história tem sede de justiça.
E um dia, quando a aurora romper a névoa,
não haverá privilégio que proteja
quem construiu castelos sobre a fome
de um país inteiro.