Azeite, Pavio e Coração
O coração do homem
É igual um lampião
Capenga, mas não se rende
E até vive de ilusão
Se tem amor ele acende
Mesmo uma paixão
Se não tem não transcende
Morre de solidão!
Bota azeite de esperança
E um pavio de perdão,
Que a chama da lembrança
Aquece até na escuridão.
Mas se o vento do descaso
Soprar sem ter compaixão,
Até o lampião mais aceso
Se apaga na contramão.
Mas se uma mão amiga
Protege da ventania,
O amor logo se abriga
Vira chama todo dia,
Aí o lampião não nega:
Brilha forte e contagia
E até quem tava às cegas
Encontra luz que alivia.
Edbento