Ausência
Poesia Lírica | Rosilene Rodrigues Neves de MenesesPublicado em 11 de Fevereiro de 2026 ás 21h 08min
Eu não morri
Apenas mudei de lugar
Uma passagem suave
Uma porta que se fechou aqui
E abriu ali
Você ainda corre
Nos campos verdes da sua infância
Onde o tempo é um novelo macio
Que se desenrola sem pressa
Seus jogos são reais
Seus amigos são feitos de imaginação
E a grama sempre cheira a sol recém-nascido
Eu,
Eu respirei outro ar
Um ar mais denso
Mais cheio de perguntas antigas
Eu não me fui
Eu apenas caminhei
Para a margem onde as vozes são sussurros
Do que será
Você vive no mundo das crianças
Puro e sem arestas
Onde o mal é uma sombra pequena
Que a luz da manhã apaga
Eu habito a oficina
O ateliê do Criador
Onde as ideias ganham forma
E o silêncio é a matéria-prima
É diferente
Não é ausência
É só outra dimensão de presença
Você me procura no espelho embaçado
Na velha cadeira vazia
Na melodia que parou no meio
Mas eu estou no tecido
Na costura invisível
Que segura todas as coisas juntas
Eu atravessei
Como se pula um riacho raso
A água molhou meus pés
E agora a terra é outra
Não chore por mim como quem perdeu tudo
Eu não sou poeira ao vento
Sou a bússola que aponta o norte desconhecido
Eu estou do outro lado
Onde a espera é diferente
Onde a espera se transforma em entendimento
E você, meu bem,
Continue brincando
Sua luz é o mapa que eu ainda vejo daqui
A luz do mundo das crianças
Que ensina o criador sobre a alegria simples.
Eu só atravessei.
A ponte existe.
E ela não quebrou.