Atenta te para o além

Letras de músicas | Canção | Rosilene Rodrigues Neves de Meneses
Publicado em 19 de Abril de 2026 ás 14h 23min

Atenta-te para o além!

Atenta-te!

 

Meu barco sujo de mar está quebrado,

pelas ondas sombrias que formam caminhos pela imensidão,

sem volta.

Atenta-te para o além!

 

As velas rasgadas

abanam ao vento frio,

um lamento mudo que o oceano engole.

O casco, outrora forte,

agora é gemido de madeira afundando em silêncio.

A espuma branca,

antes amiga, agora traiçoeira,

abraça a carcaça esmigalhada.

 

As ondas, gigantes de escuridão,

levantam-se e caem,

marés de desespero que me arrastam para o fundo.

Não há sol para guiar,

apenas a noite eterna que se estende sem fim.

Os remos, partidos,

inúteis contra a força brutal.

As cordas, desfeitas,

promessas rompidas pela fúria do mar.

 

Olho para o horizonte,

um borrão indistinto de névoa e incerteza.

Onde o céu encontra a água,

um véu de melancolia esconde qualquer esperança.

O que jaz lá adiante?

Um abismo sem nome?

Um porto desconhecido?

Ou apenas a vastidão,

devorando os fragmentos do que fui?

 

O sal corrói a alma,

a brisa gélida beija a pele,

lembrando-me da fragilidade deste corpo cansado.

O medo, um nó na garganta,

aperta, sufoca,

enquanto o barco afunda,

lentamente, inexoravelmente.

Cada gota de água salgada é um adeus, um suspiro final.

 

Atenta-te, sim, atenta-te!

Porque o mar não espera,

não perdoa.

Ele leva tudo,

as alegrias, as tristezas, os sonhos.

E nesta jornada sem retorno,

onde a única certeza é o mergulho,

sou apenas um náufrago perdido na imensidão.

 

Atenta-te para o além!

O que virá depois deste naufrágio?

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