Asas recolhidas
Poemas | Poesia Lírica | Rosilene Rodrigues Neves de MenesesPublicado em 15 de Outubro de 2026 ás 06h 50min
Asas Recolhidas
Rosy Neves
Perdi um amor em meio à névoa,
onde a noite escondia o caminho
e os teus olhos, escuros e fundos,
guardavam o último brilho
do que fomos.
Procurei teu rosto entre sombras,
chamei teu nome contra o vento,
mas a voz voltou quebrada,
trazendo apenas o silêncio
de um adeus que não dissemos.
Longe, um anjo me vê,
imóvel sobre a ruína dos dias.
Não desce, não fala, não salva.
Permanece com as asas recolhidas,
como quem também perdeu
a fé no voo.
E eu caminho,
sem saber se te procuro
ou se fujo da lembrança
de tuas mãos abandonando as minhas
na fronteira entre o sonho
e a despedida.
A névoa cobre os teus passos,
mas não apaga tua ausência.
Ela permanece em mim,
feito uma ferida sem sangue,
feito uma prece sem Deus,
feito amor
depois que deixa de ser esperança.
Se um dia retornares,
não encontrarás a mesma alma.
Haverá inverno em meu peito
e um anjo adormecido
guardando, entre as penas,
o lugar onde teu nome morreu.