As mil e uma faces das rosas brancas

Poemas | Poesia Lírica | Rosilene Rodrigues Neves de Meneses
Publicado em 07 de Outubro de 2026 ás 05h 26min

As Mil e Uma Faces da Rosa Branca

 

Rosy Neves 

 

Havia uma rosa branca

adormecida entre as sombras,

com mil e uma faces

voltadas para o silêncio.

 

Em cada pétala,

um segredo diferente;

uma face era de lua,

outra, de neve,

outra, de lágrima

que Deus deixou cair

sobre o jardim do tempo.

 

A rosa não falava,

mas conhecia todos os nomes

que o vento carregava

para além das estrelas.

 

Tinha uma face de menina,

quando a manhã nascia;

uma face de anjo,

quando a noite descia;

e uma face de saudade,

quando alguém partia

sem dizer adeus.

 

Mil e uma faces

e nenhuma era igual à outra.

 

Havia nela

a pureza dos sonhos,

a tristeza dos que esperam,

a delicadeza dos que amam

e o silêncio daqueles

que já perderam demais.

 

À meia-noite,

quando o mundo se calava,

a rosa abria lentamente

a sua última face:

 

aquela que ninguém conhecia.

 

E então,

por um breve instante,

o universo inteiro

parecia caber

dentro de uma pétala branca.

 

Talvez seja esse

o mistério das rosas:

 

elas nunca mostram

todas as suas faces

a um só coração.

 

E quando finalmente

desfolham seus segredos,

não morrem...

 

transformam-se em poesia

e continuam florescendo

na memória

de quem um dia

ousou contemplá-las.

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