As lágrimas da beira do mundo

Poemas | Poesia Lírica | Rosilene Rodrigues Neves de Meneses
Publicado em 28 de Agosto de 2026 ás 13h 40min

 As Lágrimas da Beira do Mundo
Rosy Neves
 
Ela chorava na beira do mundo,
onde o silêncio se debruçava sobre o abismo
e as estrelas pareciam cansadas
de iluminar a solidão.
 
E cada lágrima que lhe escapava dos olhos
era uma estrela cadente,
fugitiva do rosto do céu,
correndo pelo escuro
como quem procura um universo perdido.
 
Chorava…
 
E de sua alma nebulosa
escapavam sombras dançantes,
fugitivas asas de um outro universo,
criaturas de luz e névoa
que jamais aprenderam
a pronunciar o nome da saudade.
 
Havia em seus olhos
um oceano que nenhum mar conhecia,
um céu partido em mil constelações,
onde cada lembrança
era uma estrela morrendo devagar.
 
Ela estendia as mãos para o infinito,
tentando recolher as lágrimas do firmamento,
mas o céu não devolvia nada.
 
Apenas permanecia em silêncio.
 
Silêncio…
 
Porque algumas dores
não pertencem à Terra.
 
Nascem muito além das estrelas,
atravessam galáxias adormecidas
e chegam ao coração
como uma antiga música
que ninguém mais se lembra de cantar.
 
E ela chorava…
 
Na beira do mundo,
entre a última estrela
e o primeiro suspiro da eternidade.
 
Até que uma lágrima caiu.
 
E, ao tocar o vazio,
transformou-se em uma pequena constelação.
 
Talvez fosse assim
que o universo guardava
aquilo que ela não conseguia dizer.

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