As garças choram e tremem de frio
Poemas | Poesia Lírica | Rosilene Rodrigues Neves de MenesesPublicado em 19 de Maio de 2026 ás 17h 37min
As Garças Choram e Tremem de Frio
de Rosy Neves
As garças choram e tremem de frio
na margem esquecida do rio,
onde a noite derrama neblina
sobre as pedras cansadas do vazio.
O vento passa lento entre os juncos,
como mãos procurando abrigo,
e a lua, tão pálida e distante,
mal consegue aquecer o infinito.
As águas carregam silêncios
de antigos sonhos partidos,
e cada onda murmura saudades
de amores que foram perdidos.
As garças recolhem as asas
como quem deseja desaparecer,
olhando o céu sem estrelas
na esperança de amanhecer.
Tão longe, tão longe do mundo,
na beira do rio sombrio,
até a alma da noite parece
chorar de tristeza e frio.
Mas ainda existe um canto escondido
dentro da escuridão do inverno:
um delicado fio de esperança
acendendo luz no silêncio eterno.