As estrelas são caminhos
Poemas | Poesia Lírica | Rosilene Rodrigues Neves de MenesesPublicado em 14 de Março de 2026 ás 14h 40min
Um vasto pano se desenrola,
de índigo profundo,
puncionado por poeira de diamante:
o céu da noite respira.
Não são espalhamentos aleatórios,
nem respingo acidental de luz.
São gravações precisas,
linhas traçadas por mãos pacientes —
mãos que giraram a roda cósmica antes que nossa memória começasse.
As estrelas são caminhos:
fios de prata entrelaçados firmes,
um mapa celestial guardado pelos ancestrais,
os vigilantes silenciosos à beira do sempre.
Eles traçaram rotas quando os oceanos eram jovens
e as montanhas ainda encontravam sua forma.
Cada ponto luminoso é um farol,
um aceno através do abismo das eras.
Olhamos para cima agora,
pequenas criaturas sob a imensidão.
E às vezes, se o ar estiver limpo,
se o barulho de nosso dia se acalmar,
sentimos a atração.
Um anseio profundo e calmo,
um reconhecimento no osso:
esses sóis distantes que queimam
não são apenas espetáculo.
São migalhas de pão,
espalhadas cuidadosamente pelo negro.
Cada constelação, um marco conhecido,
um sinalizador na floresta escura do espaço.
Os Guardiões sussurraram seus segredos
na luz que lançaram:
histórias de onde viemos,
o solo verdadeiro de nosso começo.
Seguimos a inclinação do cinto de Orion,
a rotação lenta e segura da Ursa —
não com mapas de papel,
mas com a bússola da alma,
um instinto de retorno afinado à luz das estrelas.
Esses caminhos ardentes levam de volta,
além de cometas e nebulosas,
através de extensões silenciosas de nada,
sempre em direção à origem.
Eles iluminam o caminho
da longa jornada circular para casa,
até aquele primeiro jardim luminoso,
onde tudo era inteiro.
As estrelas são pontes feitas de fogo antigo.
E esta noite, como sempre,
elas esperam que nós pisemos na luz:
para andar pelas linhas traçadas há muito tempo,
e finalmente — finalmente —
chegar.