As conchinhas do mar cósmico

Poemas | Poesia Lírica | Rosilene Rodrigues Neves de Meneses
Publicado em 03 de Outubro de 2026 ás 08h 37min

 As Conchinhas do Mar Cósmico
 
Rosy Neves
 
 
 
 
Na minha imaginação de criança,
as estrelas eram conchinhas perdidas,
de um mar cósmico, antigo e esquecido,
repousando na encosta do universo.
 
Eu as recolhia com os olhos,
uma a uma, no silêncio da noite,
como quem procura na areia do infinito
os vestígios de um mundo que partiu.
 
E as galáxias...
Ah, as galáxias eram grandes navegações,
navios partidos sobre o azul escuro do céu,
deixados para trás pelos marujos
de olhos cansados, cheios de sal.
 
Talvez tivessem atravessado séculos,
mares sem lua, tempestades de estrelas,
até perderem seus velames
nas margens esquecidas do tempo.
 
E eu, pequena navegante,
olhava para o alto em silêncio,
imaginando que algum daqueles navios
ainda procurava um porto.
 
Um porto escondido
atrás da última constelação,
onde o mar terminasse
e começasse outra infância.
 
Ainda hoje, quando a noite se derrama
sobre os telhados adormecidos,
procuro as conchinhas que deixei no céu.
 
E às vezes penso
que as estrelas não estão tão distantes...
 
Talvez sejam apenas
as pequenas lembranças de uma criança
que um dia acreditou
que o universo inteiro
era um mar...
 
e que cada galáxia quebrada
guardava, entre seus destroços,
a história de um marujo
que jamais encontrou o caminho de volta.

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