As águas

Poemas | Poesia Lírica | Rosilene Rodrigues Neves de Meneses
Publicado em 09 de Março de 2026 ás 07h 42min

As águas do grande moinho 

 Correm lentas 

Sob o céu cinzento de manhã. 

Um sussurro antigo 

Nas pedras gastas. 

 

O rio se lembra 

De tantas voltas, 

De grãos transformados 

Em farinha macia. 

 

A roda gigante, 

Madeira molhada, 

Gira com esforço, 

Um ritmo constante. 

 

A força da corrente 

Empurra, move, 

Sem pressa, sem pausa, 

A vida do lugar. 

 

Gotas frias 

Saltam no ar, 

Pequenos diamantes 

Na sombra da construção. 

 

O som da água 

É a única música, 

Um murmúrio grave 

Que embala o trabalho. 

 

Lá dentro, o cheiro 

De poeira fina e terra, 

A promessa de pão, 

Feita pelo fluxo. 

 

As águas passam, 

Levam embora o tempo, 

Deixam apenas 

A persistência do moinho.

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