Ao Rei de bondade infinita

Poemas | Poesia Lírica | Rosilene Rodrigues Neves de Meneses
Publicado em 17 de Maio de 2026 ás 19h 27min

Ao Rei de Bondade Infinita

 

de Rosy Neves

 

Ó meu Deus,

deixa eu chegar no coração do Rei,

como quem atravessa desertos de silêncio

carregando apenas um cântaro de esperança

e os pés feridos pela longa estrada da noite.

 

Deixa-me repousar

na varanda dourada de Sua misericórdia,

pois a penumbra deste mundo

tem coberto meus olhos

com véus de cansaço e antigas tristezas.

 

É noite…

É noite…

e meu coração está aflito,

tremendo como vela acesa

diante do vento das angústias.

 

Sou ave perdida no inverno,

um pássaro desgovernado pelos céus frios,

batendo as asas contra nuvens escuras,

procurando uma estrela

que ainda saiba meu nome.

 

Ó Rei de bondade infinita,

abre os jardins secretos do Teu peito

para que eu adormeça ali

como criança cansada

nos braços eternos do amanhecer.

 

Porque a noite pesa sobre mim

como mares profundos e insones,

e minha alma caminha descalça

pelos corredores da solidão.

 

Mas se eu tocar

nem que seja a sombra de Tuas vestes,

meu espírito florescerá novamente

como lírios brancos

nascendo mansamente após a tempestade.

 

É noite…

É noite…

mas ainda ergo os olhos ao alto,

porque sei que além desta penumbra

há um Reino de luz

esperando por mim.

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