Vejo andorinhas
sobrevoando o dia,
asas abertas,
no vento, poesia.
Planam leves,
espalhando encanto,
costuram o céu
com silêncio e canto.
Quase sempre sozinhas,
à procura de par,
de um ninho seguro
pra pousar e morar
e fazer verão
onde o amor chegar.
Como elas, estou eu:
taça de vinho na mão,
à espera de um encontro
que me tire do vão,
que transforme o silêncio
em dois, não mais solidão.