Amoras Maduras
Ir até a cozinha
é um caminho espinhoso...
Os copos vazios sobre a mesa,
a cadeira vazia,
o silêncio gritante...
Tudo faz brotar rios em mim.
O vento canta sob a copa do pé de amora
e arranca gemidos silenciosos
do que em mim ainda sente.
Suspiro lentamente,
enquanto observo o vai e vem dos pássaros,
que fazem festa
com as amoras maduras.
Tão maduras...
Tão escuras...
Como os teus olhos,
que ainda habitam minhas lembranças
e me fitam de um tempo
em que éramos dois
sob a mesma tarde.
Lembro-me de quando,
juntos,
admirávamos o entardecer,
vendo o sol esconder-se
por detrás do monte...
Hoje, ainda vejo o sol esconder-se
por detrás do monte...
Só não sei
onde se escondeu o nosso entardecer.