Alibaba ainda olha as estrelas
Poemas | Poesia Lírica | Rosilene Rodrigues Neves de MenesesPublicado em 29 de Outubro de 2026 ás 14h 59min
Alibaba ainda olha as estrelas
Rosy Neves
Alibaba ainda olha as estrelas, em um deserto,
onde a noite derrama seus rios de prata
sobre as dunas silenciosas
e o vento guarda segredos
que ninguém ousou contar.
Em suas mãos, a areia escorre
como o tempo entre portas fechadas.
Cada grão traz o eco de uma cidade distante,
de uma caverna adormecida,
de um tesouro que não brilha em ouro.
Ele procura no céu
a antiga senha da esperança,
a constelação que um dia lhe prometeu
que todo caminho perdido
também pode levar para casa.
Ao longe, a lua acende
uma lâmpada pálida no deserto.
Alibaba sorri, cansado,
porque sabe que há noites
em que o coração é a única caravana.
E continua olhando as estrelas,
não para encontrar riquezas,
mas para lembrar que, mesmo sozinho,
há luzes que permanecem acesas
por quem ainda acredita em manhãs.