Ainda sinto o perfume das flores

Saudades | Poesia Lírica | Rosilene Rodrigues Neves de Meneses
Publicado em 21 de Maio de 2026 ás 14h 42min

Ainda Sinto o Perfume das Flores

 

de Rosy Neves

 

Ainda sinto o perfume das flores

perdido nos corredores da memória,

como se a primavera tivesse deixado

os pés descalços dentro da minha alma.

 

Há um silêncio doce entre as tardes,

um vento leve bordando saudades

nas cortinas cansadas do tempo,

enquanto o céu derrama ouro sobre os telhados.

 

Ainda sinto o perfume das flores

na varanda dos sonhos esquecidos,

onde teu nome florescia manso

como um jardim depois da chuva.

 

As rosas falavam baixinho contigo,

e os jasmins acendiam estrelas

na noite morna dos meus pensamentos.

 

Tudo era tão eterno

que até a lua repousava tranquila

sobre nossos olhos enamorados.

 

Mas o tempo — esse velho viajante —

levou embora os passos,

as cartas, os risos espalhados pelo chão.

 

Ainda assim, o perfume ficou.

Ficou nos livros antigos,

na xícara de café abandonada,

na canção distante dos pássaros,

e dentro de mim,

como uma flor invisível

que nunca aprendeu a morrer.

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