Ainda mora sonhos em mim
Poemas | Poesia Lírica | Rosilene Rodrigues Neves de MenesesPublicado em 03 de Março de 2026 ás 06h 25min
Ainda mora sonhos em mim.
Um sussurro no silêncio da manhã,
antes que o mundo acorde com suas exigências.
É escasso, confesso.
Como a última brasa no cinzeiro frio,
um calor tênue que insiste em não apagar.
A areia fina do tempo levou muito,
arrastou castelos que juravam ser eternos.
Mas ainda há vestígios de sonhos.
Um fio solto de seda azul
pendurado na borda da memória.
O cheiro de terra molhada depois de uma chuva rara,
que lembra a promessa de algo novo brotando.
São fragmentos,
pedaços de vidro polido pelo mar da rotina.
Refletem um pouco de sol,
um vislumbre do que poderia ser,
ou talvez do que já foi e vale a pena lembrar.
Eu os guardo perto,
esses vestígios teimosos,
porque mesmo um esboço de futuro
é mais leve que o peso do agora vazio.
Eles me lembram que a alma ainda respira
no compasso lento de um desejo adiado.