Adeus
Poemas | Poesia Lírica | Rosilene Rodrigues Neves de MenesesPublicado em 01 de Setembro de 2026 ás 10h 57min
ADEUS
Rosy Neves
Adeus...
Como a última folha seca
que se desprende da árvore
sem perguntar ao vento
onde irá repousar.
Adeus,
como a lágrima solitária
que escorre devagar
por um Bósforo escondido
dentre as estrelas,
levando consigo
segredos que jamais encontrarão margem.
Adeus entre beijos,
entre gritos,
entre palavras que morreram
antes de alcançar os lábios.
Adeus entre o silêncio
que ficou depois da tempestade,
quando até os pássaros
se esqueceram de cantar.
Eu te digo adeus
com as mãos vazias,
mas com o coração cheio
de tudo aquilo
que não conseguimos salvar.
Talvez o céu se lembre de nós.
Talvez alguma estrela distante
ainda guarde o brilho
dos nossos olhos.
E quando a noite vier
vestida de eternidade,
talvez eu procure teu nome
entre as constelações.
Mas não voltarei.
Porque há despedidas
que não são caminhos de volta;
são portas que se fecham lentamente
para que a alma possa, enfim,
aprender a partir.
Adeus...
Como a última folha do outono.
Como um beijo interrompido
na margem do infinito.
Como duas almas
que se amaram profundamente
e, mesmo assim,
precisaram aprender
a caminhar em direções opostas.
Adeus...
E que o vento leve
o que restou de nós.
Que o Bósforo das estrelas
guarde nossas lágrimas.
E que, algum dia,
quando o universo estiver em silêncio,
uma pequena estrela cadente
conte ao céu:
— Eles se amaram.
Mas chegou a hora
de dizer adeus.