Acendendo estrelas
Poemas | Poesia Lírica | Rosilene Rodrigues Neves de MenesesPublicado em 27 de Maio de 2026 ás 07h 18min
Acendendo Estrelas
Pega as tuas lamparinas, ó criança,
e vem comigo: vamos acender estrelas no firmamento…
A noite caiu pesada sobre os ombros do mundo,
desdobrando-se como um manto imenso
feito de silêncio e de cinzas frias.
Vamos, depressa, não há tempo a perder!
O Arcanjo Miguel precisa da tua pequena e brilhante luz.
Pois os anjos andam cansados,
muito cansados de carregar nos braços
o peso doloroso de todas as lágrimas derramadas pela humanidade.
Traga contigo os vagalumes da esperança,
essas flores raras que guardaste nos bolsos da tua infância,
e, sobretudo, traz esse teu coração,
ainda limpo e puro,
que nunca foi tocado nem ferido pelas tempestades da vida.
Porque há constelações inteiras se apagando devagar,
uma por uma,
na imensa e muda solidão do universo.
E Miguel, o poderoso Arcanjo da espada de ouro,
caminha só e atento entre os astros feridos e enfraquecidos,
recolhendo estrelas que caem e morrem,
com a mesma ternura e cuidado
com quem recolhe pequenos pássaros mortos
à beira do abismo infinito.
Depressa, criança, corre!
O céu já está escuro demais, quase sem luz.
Os homens, em sua cegueira, esqueceram-se,
há muito tempo, de como se ama de verdade.
As cidades dormem um sono pesado e vão,
com os olhos turvos e cheios de fumaça,
e todos os seus sonhos, trancados a chave,
guardados dentro de cofres frios e sem vida.
Pega, pois, as tuas lamparinas!
Acende uma estrela brilhante sobre cada dor e tristeza que existe,
outra sobre cada coração que se sente abandonado e só,
e mais uma sobre os mares profundos e escuros,
onde navegam, sem rumo, as almas perdidas.
E quando, finalmente, a derradeira luz
desabrochar e florescer na noite eterna,
talvez, só talvez, Deus Pai
abra lentamente as grandes janelas do céu,
para poder ouvir novamente, com alegria,
o riso cristalino e puro das crianças,
ecoando, vivo e feliz,
por entre as galáxias.