A voz do arcanjo

Poemas | Poesia Lírica | Rosilene Rodrigues Neves de Meneses
Publicado em 23 de Março de 2026 ás 12h 54min

Silêncio… silêncio…

o céu se curva em reverência,

pois o arcanjo com voz de trovão está voltando.

 

Seus passos não tocam a terra —

ecoam nas montanhas,

rasgam o vento,

acendem o horizonte com fogo antigo.

 

Silêncio!

Escuta…

Eu ouço teus sussurros

nas ondas furiosas do mar,

entre espumas que gritam segredos

e abismos que guardam memórias.

 

É como se o universo respirasse mais fundo,

como se cada estrela se inclinasse

para ouvir teu nome sendo chamado

além do tempo.

 

O trovão não é fúria —

é anúncio.

 

É o cântico grave de quem retorna

trazendo nas mãos

o peso do invisível

e a luz do que nunca se perdeu.

 

Silêncio…

não temas o estrondo,

pois dentro dele há um chamado suave,

um sussurro que só as almas antigas compreendem.

 

E quando ele chegar,

nem o mar será tão vasto,

nem o medo tão profundo —

porque até o caos se aquieta

quando o arcanjo

finalmente

fala.

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