A viela perdida
Poemas | Poesia Lírica | Rosilene Rodrigues Neves de MenesesPublicado em 11 de Maio de 2026 ás 13h 11min
A Viela Perdida
Há uma viela perdida
além do nevoeiro cósmico,
onde as estrelas esquecidas
descansam seus nomes antigos
sobre os telhados do infinito.
Eu caminho sozinho
pelas ruas de silêncio e luar,
com os pés cobertos de poeira celeste
e o coração aceso
como uma lanterna frágil na eternidade.
Ao longe,
os sinos do universo estremecem
na garganta do vento.
E então eu ouço —
não com os ouvidos humanos,
mas com a alma aberta
como uma flor diante da madrugada.
É o sussurro do arcanjo sentinela
atravessando os véus do invisível.
Sua voz não é voz:
é claridade derramada
sobre os abismos do meu espírito.
“Vem...”
ele chama suavemente,
como quem conhece
todos os caminhos perdidos
dentro do peito dos homens.
As galáxias se inclinam em reverência,
e os cometas passam
como cavalos de fogo
cortando os jardins do céu.
Há lágrimas antigas
boiando no espaço,
há memórias de mundos mortos
presas nas asas do tempo.
Mas o arcanjo continua chamando.