A vida

Poemas | Poesia Existencial | Rosilene Rodrigues Neves de Meneses
Publicado em 26 de Maio de 2026 ás 18h 29min

A Vida

 

Percebestes, enfim, que a vida não é senão uma música,

e nós, pobres criaturas, somos eternas bailarinas de papel,

frágeis e leves,

dançando ao som de um compasso lento, quase fúnebre…

 

Olhamos a vida passar, veloz e desregrada,

tal qual um pássaro louco e desorientado,

que se embriagou com as amargas mazelas deste mundo,

e agora, perdeu o juízo e o destino,

voando sem rumo, perdido pelos ares…

 

Enquanto a melodia insiste em tocar,

a vida segue o seu curso, como dedos que deslizam num piano,

ora suaves, ora pesados…

Mas diz a verdade eterna:

quem nesta vida se cansa de lutar e de sofrer,

há de erguer-se e dançar, para sempre, noutra vida…

 

Ah, pois a vida aqui… é uma música essencialmente melancólica!

E chega o momento em que tudo se desfaz:

perde-se o ritmo, cala-se o som!

E resta apenas um silêncio profundo, infinito e tênue,

que paira sobre todas as coisas.

 

E eu olho então, com os olhos da alma,

de uma perspectiva distante e verdadeira,

e vejo a imensa humanidade

dançando, dançando incessantemente… em pleno silêncio!

 

Ela não se detém! Não se cansa! Não reclama

do peso dos pés, nem da dor da própria existência!

Que triste espetáculo! Que grande, amargo fracasso!

Que desespero mudo é esse de continuar a girar…

 

Não! É muito melhor, sem dúvida alguma,

deixar esta cena e ir dançar em outra vida.

Lá, sim… a música é doce, suave e eterna,

cheia de harmonia,

e tem som… um som que enche o universo inteiro.

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