A sombra do Rei

Poemas | Poesia Lírica | Rosilene Rodrigues Neves de Meneses
Publicado em 25 de Junho de 2026 ás 13h 39min

 A Sombra do Rei

 

Rosy Neves

 

A sombra do Rei ainda assombra a minha alma,

permeando cada esquina dos meus pensamentos,

onde ecoam sussurros de promessas não cumpridas,

ecos de um tempo em que a luz dançava

nos olhos de quem um dia amei.

 

Fuga, uma palavra doce e amarga,

do resplendor de sua coroa

que brilha como mil sóis,

mas que pesa como a mais pesada das correntes.

Não fujo por medo, mas por amor,

amor que se transforma em um abrigo,

um refúgio na solidão de meus anseios.

 

Nos meus sonhos, te encontro,

um espectro em meio a flores murchas,

você, Rei de um reino que não mais existe,

onde os rios secaram,

mas a memória ainda flui,

diluindo alegria nas marés da saudade.

 

Teus olhos, como labirintos,

me puxam, me atraem,

mas adentro suas profundezas

e percebo um abismo que grita

por uma verdade que não sou capaz de suportar,

e nessa confusão,

perco?me novamente.

 

Oh, como desejei que o amor fosse simples,

que os corações não fossem tão complexos,

mas você é o Rei que governa meus dias,

e cada sorriso seu é uma espada,

cada palavra um decreto equivocado

que me mantém à sombra que não posso abandonar.

 

Quando a noite vem,

eu caminho por ruas desertas,

pensando nas sombras que faço questão de acalentar,

ligaduras invisíveis entre nós,

e nos murmúrios da brisa,

ouço a canção de um amor que

não foi concebido para ser

prisioneiro da coroa e do trono.

 

Ah, como é ilustração potente —

a liberdade de amar e de se libertar,

de romper as amarras feitas de promessas,

enquanto mantenho em meu coração

aquele amor que se recusa a partir

mesmo diante da realidade que me envolve,

que me arrasta.

 

Um amor que não se apaga,

mas que se esconde nas sombras,

uma presença constante,

todo um império guardado em mim,

e eu, rainha de meus próprios anseios,

caminhando cega, mas com passos firmes,

por este labirinto em que me perdi.

 

Ainda assim, meus anseios clamorosos

são baladas de liberdade,

como pássaros que dançam em um céu sem horizonte,

enquanto busco a luz que não coaduna,

um lugar onde o amor não assombra,

mas ilumina.

 

A sombra do Rei que assombra a minha alma,

eu a aceito e a vivo,

não como um cativeiro, mas como uma lição,

um chamado para eu descobrir

que em cada sombra,

também existe a possibilidade de luz,

que no amor de que fugi,

na verdade, fui encontrada.

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