A sombra de um outono triste

Poemas | Poesia Lírica | Rosilene Rodrigues Neves de Meneses
Publicado em 18 de Setembro de 2026 ás 10h 07min

A Sombra de um Outono Triste

Rosy Neves

 

Agora, tudo que restou de mim

é a sombra de um outono triste,

uma folha esquecida pelo vento,

um suspiro que o tempo não recolheu.

 

Sou o eco entre dois mundos,

entre duas margens sem nome,

dois rios desconhecidos

que não passam por este mundo,

mas carregam em suas águas

os segredos de tudo que perdi.

 

Há uma névoa sobre meus passos,

e um silêncio dormindo em meus olhos.

Caminho sem saber para onde,

como quem procura uma estrela

que já não sabe o caminho de volta.

 

Eu sou a centelha

que se esqueceu de reacender

a última estrela do universo.

 

Talvez ela ainda esteja lá,

adormecida no fundo do infinito,

esperando apenas

o toque de uma alma cansada

para voltar a iluminar o céu.

 

Mas minhas mãos estão vazias,

e meu coração, feito de outono,

já não sabe colher flores

sem sentir o perfume da despedida.

 

Então permaneço...

 

Entre os dois rios,

entre os dois mundos,

entre aquilo que fui

e aquilo que jamais consegui ser.

 

E se um dia alguém encontrar

uma pequena luz perdida

na margem de um rio desconhecido,

não a apague.

 

Talvez seja apenas eu,

tentando, pela última vez,

reacender a estrela

que deixei morrer

dentro de mim.

Comentários

Olá! Utilizamos cookies para oferecer melhor experiência, melhorar o desempenho, analisar como você interage em nosso site e personalizar conteúdo. Ao utilizar este site, você concorda com o uso de cookies.