A relva molhada
| reflexiva e memorialística | 2026/06 Antologia Versos de raiz e chão | Romeu DonattiPublicado em 29 de Junho de 2026 ás 14h 43min
O cheiro fresco da relva molhada
ainda lhe toma conta da memória.
A preguiça matutina jaz prostrada,
o corpo, lhe aquece a lã peremptória.
Espia por entre a persiana, a neblina.
Boceja. O café com leite lhe reanima.
Mochila nas costas, estrada na retina.
Videiras, eucaliptos, açudes, pinheiros
pelo caminho, guiam-no, companheiros.
O menino se esgueira, por vezes, lento
noutras aperta o passo, amiúde, ligeiro.
A geada sobre o pasto verde, no potreiro
borda sonhos, e no rosto lhe sopra o vento.
Voa longe, como o sabiá, o pensamento.
Em meio a palavras, céus, livros e asas
mergulha no universo do conhecimento.
Do vento frio minuano da vila gelada
ao rigor do sol a pino da mata cerrada.
Entre cadernos, pradarias e estações,
Costuram-se os fios das recordações;
E o tempo, em sua silenciosa e fecunda lavra,
transforma caminhos em vivência e palavra.