A quem ensina a ver

| | Dolores Flor
Publicado em 15 de Outubro de 2026 ás 13h 47min

Há mãos que, sobre o livro adormecido,
despertam horizontes devagar;
e fazem de um menino retraído
alguém que já se atreve a perguntar.

 

Há vozes que atravessam nossa idade
e voltam quando a vida pede alento;
guardamos sua firme claridade
nas salas mais profundas do pensamento.

 

Ensinar é acolher a inteligência
que ensaia, entre receios, florescer;
é dar ao tempo a humana paciência
de respeitar o lento amanhecer.

 

Professor, quando a tarde se anuncia
e o silêncio regressa ao corredor,
há muito de tua voz na poesia
de quem aprendeu a ler o próprio valor.

 

Talvez não saibas quantas primaveras
nasceram de uma simples atenção;
nem quantos sonhos, entre longas esperas,
guardaram tua palavra por sustentação.

 

Recebe nosso afeto e reverência,
por tudo que ajudaste a construir.
Teu nome permanece na existência
de quem, por ti, encontrou como seguir.

 

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