Há mãos que, sobre o livro adormecido,
despertam horizontes devagar;
e fazem de um menino retraído
alguém que já se atreve a perguntar.
Há vozes que atravessam nossa idade
e voltam quando a vida pede alento;
guardamos sua firme claridade
nas salas mais profundas do pensamento.
Ensinar é acolher a inteligência
que ensaia, entre receios, florescer;
é dar ao tempo a humana paciência
de respeitar o lento amanhecer.
Professor, quando a tarde se anuncia
e o silêncio regressa ao corredor,
há muito de tua voz na poesia
de quem aprendeu a ler o próprio valor.
Talvez não saibas quantas primaveras
nasceram de uma simples atenção;
nem quantos sonhos, entre longas esperas,
guardaram tua palavra por sustentação.
Recebe nosso afeto e reverência,
por tudo que ajudaste a construir.
Teu nome permanece na existência
de quem, por ti, encontrou como seguir.