A prece ao universo

Poemas | Poesia Lírica | Rosilene Rodrigues Neves de Meneses
Publicado em 27 de Maio de 2026 ás 20h 26min

A Prece ao Universo

 

Eu devolvo ao vento, sem mágoa e sem peso,

tudo aquilo que, na verdade, nunca me pertenceu:

as dores que apenas herdei da vida,

os medos antigos que não nasceram em mim,

e todas as sombras escuras

que outras almas deixaram, por descuido,

esquecidas e guardadas dentro do meu peito.

 

Devolvo ao imenso mar

as lágrimas que não brotaram da minha essência,

e às noites escuras e sem estrelas

entrego os sonhos sombrios

que um dia tentaram, em vão,

apagar e ofuscar a claridade viva

que sempre brilhou nos meus olhos.

 

Ó Universo, imenso e sábio,

escuta agora a minha voz firme e tranquila,

que atravessa espaços profundos

e corta constelações invisíveis até chegar a Ti.

 

Traga de volta para mim,

com toda a força da tua lei,

aquilo que verdadeiramente floresce o meu destino:

os caminhos abertos e inteiramente iluminados,

as manhãs de luz serena e calma,

o amor nobre que não fere nem aprisiona,

e a paz profunda, essa paz rara,

que repousa suave e branca

como uma ave leve e santa

pousada sobre os ombros cansados do mundo.

 

Que venha, enfim, tudo aquilo que é meu

por direito de toda a minha esperança,

por verdade pura da minha alma,

e pelo mistério sagrado e divino

que tece os fios da existência.

 

E que tudo chegue até mim,

tão suave e certeiro,

como uma chuva mansa e bendita

caindo devagar sobre jardins sedentos e cansados.

 

Eu já Te agradeço, antecipadamente,

Ó Universo,

pois eu sei que até as estrelas,

em seu brilhar eterno,

já conhecem e sabem o nome exato

daquilo que o meu coração espera,

em silêncio,

com uma fé imensa.

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