A Porta Invisível
| Poesia Filosófica | 2026/07 Antologia Quando o verso pergunta | Rose CorreiaPublicado em 02 de Julho de 2026 ás 07h 59min
Sinopse:
Entre caminhos submersos e saídas desfeitas, permanece a inquietação diante de um limite que não se revela.
A Porta Invisível
Entre Águas e Muros Invisíveis
Não foi a chuva.
A chuva apenas abriu as comportas do que já habitava o silêncio.
As ruas desapareceram primeiro, depois os caminhos, depois as certezas.
Adiante, a procura incessante de uma porta numa casa que sonha consigo mesma.
Havia mãos, rostos, vozes misturadas à correnteza, e uma estranha urgência de salvar alguma coisa que jamais recebeu nome.
Então veio a onda.
Imensa.
Mas não trouxe o fim.
Trouxe apenas outro lugar.
E foi ali que o desassossego começou.
Porque existem prisões sem grades,e barreiras que não se erguem diante dos olhos.
Tentativas sucediam tentativas.
E cada saída se desfazia um instante antes de ser alcançada.
Como se o próprio horizonte recuasse.
Como se houvesse um guardião invisível vigiando as fronteiras entre o desejo e o passo.
Permanece, desde então, uma pergunta sem resposta:
o que impede a partida?
Não a tempestade.
Não a correnteza.
Talvez apenas a sombra de uma porta que jamais existiu.
Ou o hábito de permanecer diante dela.
Comentários
Rose Correia nos contempla com uma amostra de poesia filosófica onde constrói uma alegoria tocante sobre como a mente humana lida com a mudança e o desconhecido (a inquietação de um limite que não se revela). O poema nos convida a examinar quais são as portas invisíveis criadas por nos mesmos, que nos mantém estagnados na segurança ilusória do sofrimento conhecido, em vez de caminharmos em direção ao horizonte aberto, embora desconhecido!